Pedido mínimo no delivery: como definir o valor sem perder cliente
Todo dono de delivery já recebeu aquele pedido: um refrigerante de lata, para entregar a seis quilômetros, numa sexta às oito da noite. O entregador sai, volta vinte minutos depois, e a conta do pedido fecha no vermelho antes mesmo de alguém olhar para ela. É para isso que existe o pedido mínimo: um valor abaixo do qual a loja não aceita entregar.
O problema é que quase ninguém faz a conta. O mínimo costuma ser copiado do concorrente, herdado do marketplace ou escolhido por ser um número redondo. Fica alto demais e espanta o cliente que pediria um lanche sozinho numa terça. Fica baixo demais e não protege nada. E, na maioria das lojas, ele só aparece para o cliente no fim do pedido, que é o pior momento possível para descobrir uma regra.
Este guia mostra como calcular o mínimo pelo custo real da entrega, quando vale ter valor por bairro ou por horário, e como mostrar a regra no cardápio.
O que o pedido mínimo resolve, e o que ele não resolve
O pedido mínimo tem uma função só: impedir que a loja aceite um pedido cuja margem não paga o custo de produzir e entregar. Ele não é ferramenta de aumento de faturamento, nem de seleção de cliente, nem de compensação de taxa de entrega baixa. Quando é usado para essas coisas, costuma dar errado.
Ele resolve bem três situações:
- Pedido pequeno em área longe. O custo da entrega cresce com a distância, a margem do item não.
- Pedido pequeno em horário de pico. Nessa hora o entregador é o recurso mais escasso da casa, e cada saída com pedido de baixo valor é uma saída a menos para um pedido grande.
- Itens de margem baixa vendidos sozinhos. Bebida, sobremesa embalada, porção pequena: produtos que fazem sentido como acompanhamento e quase nunca como pedido único.
E ele não resolve:
- Preço mal calculado. Se o prato principal já dá pouca margem, subir o mínimo só obriga o cliente a comprar mais de um produto ruim para a loja. O conserto começa na ficha técnica e no CMV, não no piso.
- Taxa de entrega errada. Mínimo e taxa trabalham juntos, mas um não substitui o outro. Taxa cobre o deslocamento, mínimo garante que a margem do pedido existe.
- Ticket médio baixo. Mínimo levanta o piso, não a média. Quem já comprava acima dele continua comprando igual.
A conta: quanto um pedido precisa ter para valer a saída
O jeito mais seguro de chegar ao valor é partir do custo e não do mercado. A pergunta é: qual é o menor pedido em que a margem dos produtos paga a parte da entrega que a taxa não cobre, mais a embalagem e o custo de pagamento?
Os quatro números que você precisa
- Custo da entrega por pedido. Com motoboy por corrida, é o valor da corrida. Com entregador próprio, é o custo do turno dividido pelo número médio de entregas do turno. O post sobre entregador próprio ou terceirizado mostra como chegar a esse número.
- Taxa de entrega cobrada do cliente. O que entra para cobrir o deslocamento.
- Custo fixo do pedido. Embalagem, sacola, lacre, guardanapo, sachê. Some tudo. Em muita loja passa de R$ 3, como mostra o guia de embalagem no delivery.
- Margem de contribuição média dos produtos, em percentual. Preço menos CMV menos taxa de pagamento, dividido pelo preço. Para a maioria das casas de comida fica entre 45% e 65%.
A fórmula
O pedido mínimo é o valor em que a margem dos produtos cobre a diferença entre o custo da entrega e a taxa, mais o custo fixo do pedido:
Pedido mínimo = (custo da entrega menos taxa cobrada mais custo fixo do pedido) dividido pela margem de contribuição
Um exemplo com números redondos. A loja paga R$ 9 por corrida, cobra R$ 6 de taxa, gasta R$ 3 de embalagem e tem margem de contribuição de 50%. A conta fica (9 menos 6 mais 3) dividido por 0,5, que dá R$ 12. Abaixo disso, o pedido dá prejuízo. Exatamente em R$ 12, empata.
Empatar não basta, porque a loja ainda tem aluguel, folha e energia para pagar. Por isso o mínimo que vai para o cardápio costuma ficar entre 1,5 e 2 vezes o ponto de empate. No exemplo, algo entre R$ 18 e R$ 25.
Confira contra o seu cardápio
Depois de calcular, olhe para o cardápio. O mínimo precisa ser alcançável com um prato principal, ou um principal com uma bebida. Se o lanche mais vendido custa R$ 28 e o mínimo é R$ 25, quase ninguém sente a regra. Se o mínimo for R$ 40 e o lanche custa R$ 28, o cliente que come sozinho foi expulso da loja, e ele é muita gente: estudante, quem trabalha até tarde, quem mora sozinho.
Piso único ou piso por bairro
A maioria das lojas usa um valor só para a cidade inteira. É simples de explicar, mas trata igual o pedido da rua de trás e o do bairro do outro lado da avenida, e esses dois pedidos não custam o mesmo para entregar.
Se a loja já trabalha com taxa de entrega por bairro, o passo natural é ter o mínimo acompanhando as mesmas faixas:
- Entorno imediato, até uns 2 km: mínimo baixo ou nenhum. A entrega é rápida, o entregador volta logo, e o cliente do bairro é o que mais repete.
- Faixa intermediária: o mínimo calculado pela fórmula.
- Faixa distante: mínimo mais alto, porque a saída ocupa o entregador por mais tempo e a taxa raramente cobre tudo.
O cuidado é não criar faixas demais: três bastam, ou ninguém na equipe responde de cabeça quando o cliente pergunta.
Mínimo por horário: o pico pede outra regra
O custo de um pedido pequeno não é o mesmo às 15h de uma terça e às 20h de um sábado. No horário vazio, o entregador está parado e a cozinha tem folga: o pedido pequeno é quase lucro puro, porque ocupa uma capacidade que já está paga. No pico, é o contrário. Cada saída com pedido de R$ 15 atrasa um pedido de R$ 90 que está esperando na fila.
Algumas lojas resolvem isso com duas regras:
- Mínimo menor fora do pico, para encher o horário ocioso. Aqui ele pode até ser usado como chamariz, junto com a promoção da tarde.
- Mínimo maior no pico, para proteger a capacidade de entrega.
Antes de adotar, olhe no relatório de vendas em que faixa de horário os pedidos pequenos realmente se concentram. Se eles quase não aparecem no pico, a regra extra só complica. O guia de horário de pico no delivery mostra como ler esses números.
Como mostrar o pedido mínimo no cardápio
A regra certa apresentada no lugar errado vira abandono de carrinho. O cliente montou o pedido, escolheu o adicional, digitou o endereço, e só então descobre que faltam R$ 7. Uma parte completa o pedido. Outra fecha a aba e não volta.
O que funciona melhor:
- Mostrar o mínimo antes de o cliente começar. No topo do cardápio, junto do tempo de entrega e da taxa. Quem lê a regra antes de escolher já monta o pedido pensando nela.
- Mostrar quanto falta, e não só que falta. "Faltam R$ 6 para o pedido mínimo" resolve mais do que "valor abaixo do mínimo". O cliente sabe o tamanho do problema.
- Sugerir o item que completa. Bebida, sobremesa, porção pequena. Se faltam R$ 6 e a lata custa R$ 7, essa é a sugestão óbvia, e ela aumenta o ticket com um item de boa margem.
- Usar o mesmo valor em todo canal. Cardápio digital, atendimento no WhatsApp e telefone com a mesma regra. Mínimo que muda de acordo com quem atende vira negociação.
É o tipo de detalhe que faz um cardápio digital que vende.
Pedido mínimo e frete grátis: a dupla que mais funciona
Muitas lojas confundem as duas coisas, mas elas são irmãs: o mínimo diz abaixo de quanto a loja não entrega; o frete grátis diz acima de quanto a loja paga a entrega. Usadas juntas, criam duas metas para o cliente.
Um desenho comum é este: mínimo de R$ 25, taxa normal entre R$ 25 e R$ 70, e frete grátis acima de R$ 70. Quem pede sozinho chega ao mínimo com um lanche. Quem pede para a família tem um motivo para incluir mais um item e passar dos R$ 70.
A regra de ouro do frete grátis vale aqui: o piso do frete grátis precisa ficar acima do seu ticket médio atual, senão a loja está só dando desconto para quem já compraria. Se o ticket médio é R$ 55, frete grátis a partir de R$ 50 não muda comportamento nenhum. A partir de R$ 70, muda. O post sobre ticket médio no delivery mostra como medir esse número e quais alavancas puxam a média para cima.
Quando o pedido mínimo atrapalha
Nem toda loja precisa de mínimo, e algumas perdem dinheiro com ele. Vale desconfiar da regra quando:
- O produto principal já é caro. Pizzaria com pizza média a R$ 55 ou hamburgueria com combo a R$ 45 raramente recebem pedido abaixo de R$ 25. O mínimo não protege nada e ainda ocupa espaço na tela.
- A área de entrega é pequena. Se a loja entrega só num raio curto, com entregador próprio e custo fixo, o pedido pequeno no horário vazio é bem-vindo.
- A loja está conquistando um bairro novo. No começo, o objetivo é o primeiro pedido. Mínimo alto nessa fase corta justamente o cliente que estava experimentando.
- O cliente é recorrente. Quem pede toda semana tem um valor que vai muito além de um pedido. A conta de quanto vale um cliente do delivery mostra por que perder esse cliente por R$ 4 de diferença é péssimo negócio.
Um teste simples: veja quantos pedidos por mês ficaram abaixo do mínimo que você está pensando em adotar. Se forem poucos, o mínimo vai gerar mais atrito do que proteção. Se forem muitos e se concentrarem em bairros distantes ou no pico, a regra se paga.
Os erros mais comuns ao definir o pedido mínimo
Quase todo problema com o pedido mínimo vem de uma destas decisões:
- Copiar o mínimo do marketplace. O marketplace calcula o mínimo pela conta dele, com a comissão dele e a logística dele. No canal próprio, o custo é outro e a conta precisa ser refeita.
- Contar a taxa de entrega dentro do mínimo. O mínimo deve valer para os produtos. Se a taxa entra na conta, um pedido de R$ 14 com R$ 11 de taxa passa pela regra e continua dando prejuízo.
- Nunca revisar. Embalagem subiu, corrida do motoboy subiu, cardápio mudou de preço. O mínimo calculado há dois anos já não fecha a conta. Revise a cada reajuste.
- Esconder a regra. Mínimo que só aparece no checkout é o caminho mais curto para o abandono.
- Abrir exceção no WhatsApp. Se o atendente aceita "só desta vez", a regra deixou de existir. O cliente aprende e pede de novo, e o atendente seguinte não sabe que houve exceção.
No canal próprio, a régua é sua
No marketplace, boa parte dessas decisões não é da loja. A plataforma define como o mínimo aparece, que sugestão faz para completar o pedido e quanto da venda fica com ela, e o cliente que completou o pedido com mais um item paga comissão sobre esse item também. A conta de quanto custa a comissão do marketplace mostra quanto isso pesa no fim do mês.
No canal próprio, o cliente é seu, não do marketplace: o mínimo é calculado pelo seu custo, a regra aparece do jeito que você escolheu, o item que completa o pedido vai inteiro para a sua margem, e o histórico de pedidos mostra se a regra está protegendo a loja ou espantando gente. É esse histórico que permite ajustar o valor com dado, e não com palpite.
No PediZap, a loja define o valor do pedido mínimo na configuração, e o cardápio passa a exigir esse valor antes de fechar o pedido. Vale em todos os planos, com o cardápio digital, o painel de pedidos e o relatório de vendas, com mensalidade fixa e sem comissão por pedido. Se você quer revisar como o pedido mínimo, a taxa e o frete grátis da sua loja estão funcionando juntos, fale com a nossa equipe e olhamos os números com você.
Perguntas frequentes
O que é pedido mínimo no delivery?
É o menor valor em produtos que a loja aceita para fazer uma entrega. Abaixo dele, o pedido não é aceito ou o cliente precisa incluir mais itens. Serve para impedir que a loja entregue pedidos cuja margem não paga o custo da entrega e da embalagem.
Como calcular o valor do pedido mínimo?
Some o custo da entrega menos a taxa cobrada, mais o custo fixo do pedido (embalagem e sacola), e divida pela margem de contribuição dos produtos. O resultado é o ponto de empate. O valor que vai para o cardápio costuma ficar entre 1,5 e 2 vezes esse número.
A taxa de entrega conta para o pedido mínimo?
Não deveria. O mínimo existe para garantir margem nos produtos, e a taxa serve para cobrir o deslocamento. Se a taxa entra na conta, um pedido pequeno com taxa alta passa pela regra e continua dando prejuízo.
Vale ter pedido mínimo diferente por bairro?
Vale quando a loja já cobra taxa por bairro e a diferença de distância é grande. Três faixas costumam bastar: entorno com mínimo baixo ou nenhum, faixa intermediária com o valor calculado e faixa distante com mínimo maior. Mais que isso confunde a equipe e o cliente.
Pedido mínimo faz o cliente desistir da compra?
Faz quando aparece só no fim do pedido ou quando é alto demais para um prato principal. Mostrado no topo do cardápio, com o aviso de quanto falta e a sugestão de um item para completar, ele costuma aumentar o ticket em vez de derrubar a conversão.
Qual a diferença entre pedido mínimo e frete grátis?
O pedido mínimo define abaixo de quanto a loja não entrega. O frete grátis define acima de quanto a loja assume a entrega. Usados juntos, criam duas metas: o mínimo protege a margem do pedido pequeno, e o frete grátis, acima do ticket médio, incentiva o pedido maior.
Toda loja de delivery precisa de pedido mínimo?
Não. Lojas com produto principal caro, área de entrega pequena ou entregador próprio com folga no horário vazio podem dispensar. Antes de adotar, veja quantos pedidos por mês ficariam abaixo do valor pensado e onde eles se concentram.